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Observações, Textos

Uma nova ameaça nas comunicações

Assim como apontado na série de posts sobre o Skype, recentemente outra ameaça ligada às comunicações surgiu e está se popularizando. É um programa denominado Viber, pertencente a uma companhia homônima sediada no Chipre. Sua função é oferecer um serviço de voz e mensagens instantâneas para usuários de celulares que não exige sequer registro, pois usa o número de telefone do aparelho como número de identificação. Sempre que o usuário faz uma chamada ou envia uma mensagem de texto ao alcance de uma rede wifi ou 3G e o destinatário for usuário do Viber, o programa detecta a situação e intercepta a chamada ou mensagem, usando então a rede para prover o serviço sem custos*, já que tudo será feito pela Internet. Além disso, tudo isso é feito sem exibir ao menos uma propaganda aos usuários, na tentativa de gerar lucro aos desenvolvedores do software. É aí que reside o perigo, pois o quê a empresa chipriana ganha com isso?

Em sua página de Internet, até a data de publicação deste texto, não há referências a versões “premium”, que exijam pagamentos de qualquer natureza, ou a qualquer outro modelo de  negócios. Por outro lado, uma rápida análise nos detalhes da aplicação Viber para dispositivos Android, na aba de permissões requeridas, mostra que, dentre a anormalmente extensa lista de permissões requeridas pela mesma, estão o acesso ao GPS, acesso à lista de programas sendo executados, fechar outros programas e mesmo o poder para ligar ou desligar o aparelho totalmente. Para quê um software de telefonia precisaria do meu posicionamento, com alto grau de precisão, ou do poder de desligar meu aparelho celular à minha revelia? Qual o motivo dele querer ver quais programas eu uso e inclusive poder fechá-los? Não consigo pensar em justificativas intuitivas, razoáveis ou aceitáveis. Além disso, usuários de dispositivos da Apple, por exemplo, estão ainda mais vulneráveis, pois não possuem maneira de ver uma lista de coisas que o aplicativo pode fazer com seu celular para decidir se ainda assim quer usá-lo. Como agravante, o programa infelizmente não é Software Livre, então ninguém além de seus criadores tem como saber exatamente o que ele faz com esses dados.

Por outro lado, ao oferecer serviços dessa natureza coletando tanta informação, o Viber tem acesso a uma rede social de tamanho possivelmente comparável ao do Facebook, uma vez que pode cruzar dados de quem fala com quem e quão frequentemente, além de ter como estimar onde essas pessoas moram, trabalham, se divertem e consomem produtos, já que com as datas, horas e locais que cada pessoa fez chamadas ou enviou mensagens é fácil estimar isso. Essas informações sim são uma mina de ouro, e o próprio Facebook ganha muito dinheiro vendendo esse tipo de informação a empresas interessadas. Assim, colocar propagandas ou cobrar por créditos pra fazer telefonemas especiais parece até ingênuo…

*Descontados os valores pagos para manter as referidas conexões wifi ou 3G.

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