Extensão

Smiles: exigir o uso de Internet Explorer viola direitos

Nós do grupo Cultura Digital e Democracia vamos denunciar formalmente ao Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor – DPDC que o site da Smiles exige o uso de Internet Explorer para navegar, em uma evidente violação de direitos. Esse será nosso pontapé para iniciar a nossa atividade de ativismo jurídico (em inglês conhecido como advocacy).

Trata-se de um problema que não é exatamente uma novidade, conforme já bem documentado pelo Christiano Anderson em maio de 2011:

Smiles – Site que não segue padrões web | Christiano Anderson
Smiles limitou o uso apenas ao Internet Explorer, saiba como acessar utilizando outros navegadores.

Nem se trata de um obstáculo técnico impossível de contornar, uma vez que é possível acessar o site em outros navegadores, seja por uma adereço que simule a navegação pelo Internet Explorer, seja acessando por esse endereço.

Mas a postura da empresa quebra o princípio da neutralidade, porque privilegia o uso de um navegador. E do ponto de vista do ordenamento legal vigente no Brasil, essa prática viola direito do consumidor e viola direito de concorrência. Assim, não podemos nos satisfazer em apenas superar essa dificuldade, como se fosse apenas um problema de estratégia comercial: é necessário fazer com que a empresa mude sua postura ilegal.

Infelizmente, para comunicarmos formalmente ao DPDC precisamos eloborar uma carta (isso, de papel) relatando o problema, mencionando uma fundamentação jurídica e apontando que a questão tem âmbito nacional. Só após apresentarmos o documento no protocolo do Ministério da Justiça e fazermos algum barulho é que poderemos exgir que o Departamento faça uma averiguação e fazer algo concreto contra a empresa.

Mas já fica aqui o registro de que medidas serão tomadas. Aguardem próximas notícias.

2 comentários em “Smiles: exigir o uso de Internet Explorer viola direitos”

  1. O que eu posso sugerir, além do óbvio PROCON, seria acionar o Ministério Público da União, por sua prerrogativa constitucional de defesa do consumidor, direitos difusos etc. E teria que ser o MP Federal (http://ccr3.pgr.mpf.gov.br/), por ser algo que abrange todo o Brasil. Como argumentação, utilizaria a famosa “venda casada” no CDC (39, I), ao vincular o uso de um produto/serviço a um software. Vai ctrlC+V em quase todo o CDC, art, 2, 3(2,3), 4 (III), 14 e até mesmo o 6 (VI; VII) e CF (5) pedindo reparação por danos morais, individuais, coletivos e difusos (onde os serviços prestados foram defeituosos, gerando aos reclamantes danos morais consistentes na própria frustração de, na condição de consumidores, não poderem usufruir do serviço por não utilizarem tal navegador de internet). Acho que a partir dessa base, você pode se divertir ae na carta.

    Curtir

    1. A ideia é ir direto ao Ministério da Justiça, até para que ele cobre uma ação no plano administrativo mesmo, sem processo judicial, o qual poderia demorar muito. É pensar a coisa pelo lado da política pública. Mas, sim, não está descartada uma mobilização judicial 😉

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.